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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tocador de Pífano, A tradição que não pode morrer - Povoado Caramuru

Cultura Popular 

Kaline Aragão

Era por volta das 18:00 horas de um domingo frio, quando cheguei na casa do Sr. Geovane Pereira da Silva, mas conhecido como seu Vano.  Um senhor de 64 anos, simpático, que me recebeu com um sorriso no rosto. Sentado em sua cadeira de balanço e bem acomodado conversamos por cerca de quarenta minutos. Seu Vano é tocador de flauta de uma banda de Pífano desde a década de 60. Interessou – se pela música por volta de seus 13 pra 14 anos, e admirava ver seu pai tocar nas festas e novenas, estreou com a música “Asa Branca” de Luiz Gonzaga. A cada palavra do Sr. Geovane à sensação que eu tinha era que as lembranças de sua juventude ainda estavam bem vivas em sua mente.

A Banda de Pífano que Seu Vano toca chama-se dois irmãos, ele é o freteiro, aquele que toca primeiro, é composta basicamente por seis tocadores. No ano de 2010 a banda gravou seu primeiro CD. A música faz com que seus olhos brilhem enquanto fala e logo em seguida ele confessa: não passo um dia sem tocar, sinto que nasci para isso.                                                   

No entanto, Seu Vano sabe que nem tudo é alegria, ele diz que têm medo de morrer e a tradição acabar, apesar de um dos seus filhos tocar com ele. “Cada um têm sua vida e os tempos mudaram, não dá pra sobreviver de música, temos família pra sustentar. Antigamente tocávamos duas a três vezes por semana, hoje, quando nos chamam são duas ou três vezes no ano. Eu lembro que quando tocávamos todo mundo dançava e gostava, mas acabou. Quase ninguém nos procura, a idade já chegou e me pegou, estou cansado. O único lugar que tocamos há mais de 40 anos é em uma festa na cidade de Vertentes do Lério - PE, lá as pessoas ainda gostam, nos sentimos valorizados. Meu pai antes de morrer, me pediu pra que nunca deixasse a banda acabar, quando penso nisso fico sem saber o que fazer. Ninguém se interessa mais, ninguém quer saber mais de tocar não menina”. Sinceridade e uma triste verdade fazem parte do seu discurso, não é de hoje que a maioria das pessoas tem se desinteressado pelo belo e exótico.  E o que talvez uma boa parte não saiba é que as festas e a música feita por esse tipo de banda constitui, junto com outras manifestações, o embrião de gêneros musicais ligados ao forró.
Pífano é uma marca da cultura nordestina que remonta o período colonial e tem origem no encontro com a "música de couro" dos africanos com as flautas indígenas. Porém, assim como toda manifestação cultural do 

Brasil, a cultura do pife é resultado da influência de várias culturas. É uma tradição antiga, que foi absorvida e adaptada pelos homens, passada de geração a geração para pessoas comuns como seu Vano que com sua determinação e paixão pela música contribui para que esta chamada Cultura Popular não se perca no tempo e no espaço.

Kaline Aragão Barbosa – Estudante de Jornalismo na FAVIP
Fonte de Pesquisa -  www.wikipédia.com.br 

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