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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Agreste do estado seria a região mais vulnerável à falta de água no Brasil. Reservatórios secaram ou estão com pouco líquido para a demanda.

Pernambuco tem 'escassez crônica de água', diz representante da Apac
Bezerros, Caruaru, Casinhas, Cumaru, Frei Miguelinho, Gravatá, Passira, Riacho das Almas, Salgadinho, Santa Cruz do Capibaribe, Santa Maria do Cambucá, Surubim, Toritama, Vertente do Lério, Vertentes

Do G1 Caruaru

Subsolo no Agreste é pobre em águas subterrâneas (Foto: Reprodução/ TV Globo)
 A Organização Mundial de Saúde (OMS) desenvolveu uma medida para avaliar a disponibilidade de água por habitante e o impacto sobre o desenvolvimento econômico e social. Seguindo o indicador, a situação em Pernambuco é preocupante. “Regiões cujo volume de água per capita é inferior a 1.000m³ por ano por habitante são consideradas com escassez crônica de água, que é o caso aqui do nosso estado”, diz Marcelo Asfora, diretor-presidente da Associação Pernambucana de Águas e Climas (Apac). Segundo a OMS, a situação é ainda mais grave no Agreste: são 800m³ de água por habitante/ano.
Nenhuma outra região do país seria mais vulnerável à falta de água. As condições são as mais adversas: pouca chuva, reservatórios pequenos, subsolo pobre em águas subterrâneas, nenhum grande rio correndo pelas imediações. É o que os técnicos chamam de pior balanço hídrico do país. “Hoje, a situação dos moradores do Agreste é muito crítica: tem um município que está em total colapso. Eu tenho pouca oferta d’água em uma área que tem uma população muito densa”, explica Leonardo Selva, diretor regional da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) no Agreste.
Reservatórios em crise
Os números da escassez são comprovados nos principais reservatórios, que secaram ou estão com pouco líquido. Há 29 municípios enfrentando rodízio: passam dois dias com água e três dias sem. Outras 26 localidades enfrentam um racionamento rigorosíssimo: ficam mais de 10 dias sem água.

Em Santa Cruz do Capibaribe, Barragem de Poço Fundo enfrenta colapso (Foto: Reprodução/ TV Globo)
 A situação mais dramática é em Santa Cruz do Capibaribe: os 97 mil habitantes só recebem água nas torneiras de 28 em 28 dias e o reservatório de Poço Fundo não tem mais nenhuma gota. Quase todas as famílias têm caixa d’água em casa e a construção de cisternas é um investimento obrigatório. Quando a água da Compesa não chega, o jeito é apelar para os carros-pipa, uma despesa extra para muitos moradores, que chegam a gastar R$ 170 por mês para prover o bastecimento particular. As famílias mudaram a rotina: lavar louça, só uma vez por dia, e a roupa suja, apenas uma vez por semana.
Situada em Caruaru, Jucazinho é a maior barragem do Agreste e pode armazenar 27 milhões de metros cúbicos de água. Porém, pelas réguas de medição, é possível verificar que o nível recuou 30 metros nos últimos três anos, deixando o reservatório com 18% da capacidade. “A gente está trabalhando com a capacidade abaixo da vazão máxima que poderia ser possível tirar do manancial”, afirma Niadja Menezes, superitendente de Negócios da Compesa no Agreste. O manancial abastece 16 municípios: Caruaru, Riacho das Almas, Cumaru, Bezerros, Gravatá, Passira, Surubim, Casinhas, Vertente do Lério, Santa Maria do Cambucá, Frei Miguelinho, Vertentes, Toritama e Salgadinho.

Barragem de Jucazinho, em Caruaru, está com 18% da capacidade (Foto: Reprodução/ TV Globo)

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